Acidentes dessa magnitude geralmente têm várias causas. Cito
três principais:
1) - Idade do edifício (mais de 70 anos);
2) – Inúmeras reformas de janelas, de paredes e de
pavimentos inteiros;
3) – Profissionais responsáveis negligentes ou ausentes.
Especialistas dizem que o concreto armado, material base da
construção civil, endurece com o tempo. Mas isso não torna um edifício
castigado pelo uso mais seguro. O concreto endurece, mas as reformas, as trocas
de materiais, as ferrugens, as novas aberturas e as vibrações vão enfraquecendo
a ligação entre as partes estruturais do prédio.
A falha humana é mais comum na maioria dos acidentes de
pequena e de grande monta. Algum profissional pode ter falhado, mas não se pode
acusar apenas um. Quando uma lâmpada queima, não se pode acusar que o último
que a acionou é o responsável pela queima.
Mas existem responsabilidades que devem ser eliminadas, sob
pena de se culparem inocentes, como é o caso do último que acionou o
interruptor da lâmpada. Os jornais televisivos, radiofônicos e escritos
apontaram que a falta de licença é uma das causas. Ora, nesse caso, se a última
reforma (do nono andar) tivesse um engenheiro responsável, então ele seria o
responsável pelo desabamento dos edifícios.
Felizmente, a burocracia não funcionou e a injustiça de se
culpar o último que acionou o interruptor não ocorreu. É claro que existem
profissionais negligentes ou de responsáveis que não pagam por esses
profissionais. Parece que é o caso da reforma do nono andar.
Que não se culpe alguém que se livrou da burocracia pela
queda dos edifícios. Definitivamente, não é mais burocracia que evitará a queda
de velhos edifícios ou de outros acidentes. Os jornalistas que apontam essa
causa não passam de defensores do corporativismo que só preserva vantagens e
que não melhora nada em termos de custos ou de segurança para o consumidor.

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